Possível fiasco americano...
 Foto: Vectorlogo.blogspot
Conforme o ranking da ATP - a chave do Us Open ainda não foi divulgada -, o último grand slam do ano deverá contar com um número significativo de tenistas da casa, considerando as cento e vinte oito vagas disputadas, subtraindo as desistências e adicionando os wild cards. Andy Roddick e James Blake encabeçam a lista de norte-americanos que buscarão o título da competição mais rentável e publicizada do circuito. Roddick, em péssima fase, mas ainda o queridinho dos patrocinadores pela sua veia 'show man', vem mostrando um tenis pífio sem resultados expressivos. Blake vem de uma grande vitória sobre Roger Federer nas Olimpíadas de Pequim e seu retrospecto sobre o atual número um do mundo, Rafael Nadal, é favorável. O nova-iorquino é, sem dúvida, a maior esperança do público americano.
Em uma zona intermediária, se encontram outros tenistas como o experiente Mardy Fish, a promessa Sam Querrey e, digamos, a decepção Robby Ginepri. Fish é um dos poucos remanescentes do estilo saque e voleio no circuito e demonstra certa desenvoltura na linha de base, mas efetivamente não consegue despontar no ranking de entradas pela inconstância psicológica. Querrey é um gigante de cerca de 1,98m, que surpreendeu a todos pelo desempenho no saibro europeu. Excelente saque, bons voleios e, apesar da estatura, bons golpes da linha de base. Confiante, motivado e bem trabalhado psicologicamente pode ir longe. Ginepri é uma eterna promessa que não deslancha; sem dúvida, um bom jogador, com excelentes golpes do fundo, mas a parte mental é instável. Nem Federer no seu pior momento sucumbiu diante do americano.
No pelotão de trás, alguns prováveis beneficiados pelos wild cards, estarão os americanos John Isner, Amer Delic, dentre outros, que contarão bastante com o apoio da torcida e poderão vislumbrar uma segunda ou terceira rodada. Esse Us Open será, com certeza, frustrante para os americanos. Provavelmente, veremos em algum momento o descontrole de Andy Roddick ao sucumbir diante de um bom oponente ou talvez de alguém não tão bom assim; a derrota do esforçado James Blake diante de um top ten perante seu público e uma boa caminhada do gigante Sam Querrey até as derradeiras rodadas com aplausos merecidos. Muito pouco para uma grande potência esportiva como os Estados Unidos.
Artur S. Lisboa de Oliveira
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 16h07
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Tenis futuro
 Foto: Nevson.blogspot.com
A palavra 'futuro' é bastante utilizado no mercado financeiro para apontar as tendências do dia seguinte. Nesse texto, utilizo-o mais a longo prazo para analisar o que deve acontecer no circuito de tenis nos próximos meses. Quanto à Rafael Nadal, creio que será capaz de manter a posição de número um por cerca de um ano - talvez um pouco mais -, caso consiga se manter longe das lesões e evite que muitos oponentes ganhem confiança contra ele. Em outras palavras, Nadal tem que fazer o que Federer fez por quatro anos e meio: raros adversários o derrotaram, a exemplo do próprio espanhol, de David Nalbandian e talvez mais algum que esteja sendo esquecido. É o respeito por aquele que está no ápice; às vezes exagero, é verdade.
O tenista de Palma de Mallorca tem a seu favor toda a temporada de saibro européia, na qual até o momento é imbatível em condições normais. Diria que Novak Djokovic pode incomodá-lo na terra batida, mas além do sérvio apenas Nicolay Davydenko e o também espanhol David Ferrrer requerem certo cuidado. Nas quadras rápidas - incluindo cimento, grama e sintética - as dificuldades são maiores: contra o atual número três do mundo, Nadal certamente irá travar batalhas que serão decididas nos detalhes; além de Djokovic, aposto em jogos complicados perante Ernests Gulbis, Richard Gasquet e Andy Murray. Enfim, o 'monopólio' está estabelecido para que o topo seja mantido por tempo significativo.
Além do exposto, o fato de estar no topo testará um quesito pelo qual Rafael Nadal sempre foi muito aplaudido: o aspecto psicológico. Uma coisa é ser o vice-líder batalhando para superar um forte candidato a maior de todos os tempos, declarando ao final das partidas o quanto o Federer é espetacular; outra coisa é se manter no topo, lidando com toda a pressão da imprensa, de patrocinadores e da comissão técnica. Não acho que Roger Federer tenha suportado as cobranças com desenvoltura, mas se manteve pelo talento inquestionável. Recordemos o entrevero que o suíço teve com o técnico do espanhol, Toni Nadal, ao qual o tenista da Basiléia atribuiu a atitude incorreta de passar informações ao seu pupilo de forma exagerada. Tudo isso nas fortes emoções de Roland Garros.
Pode parecer precipitação, mas repito: não vejo Roger Federer brigando novamente pelo número um. A medalha de ouro nas duplas em Pequim, após uma esplendorosa atuação como nos velhos tempos ao lado de Stanislas Wawrinka, coube perfeitamente no talento do suíço. O tenista da Basiléia vem perdendo sistematicamente para adversários tradicionalmente fáceis, o que dificulta bastante sua empreitada no US Open. Com certeza, Federer não terá uma posição secundária no circuito, mas manter-se entre os três melhores brigando pelo topo e pelos grandes torneios acho difícil. Torcemos que não, mas o suíço precisa de um descanso que determinará a continuidade de sua brilhante carreira.
Artur S. Lisboa de Oliveira.
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 10h52
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Seqüelas de Wimbledon...
 Foto: Estadão
Roger Federer, em minha opinião, não é um tenista de superação. Por raras vezes, vi o tenista da Basiléia virar uma partida após ser derrotado na primeira parcial. Recordo-me, claramente, de uma virada espetacular em 2005 no Master Series de Miami diante, à época, da revelação espanhola Rafael Nadal. Depois de perder os dois primeiros sets, Federer conquistou os três últimos e sagrou-se campeão da mencionada competição. Na época, a vitória foi justificada pela inexperiência do espanhol que, devido ao cansaço mental de jogar uma partida de cinco sets perante o número um do mundo, não conseguiu manter a mesma intensidade. Com certeza, outros exemplos estão sendo esquecidos, mas tenho quase que convicção que foram poucas as vezes que isso aconteceu.
Arrisco dizer, inclusive, que o primeiro set é sempre crucial para o suíço pela seguinte razão: vencendo a primeira parcial, Federer ganha confiança, solta seus golpes e amedronta a maioria de seus adversários; entretanto, uma vez derrotado no set inicial, o tenista da Basiléia parece desacreditar rapidamente de seu jogo e 'entregar' ponto bobos - como se quisesse acelerar a inevitável derrota. Algo que sustenta essa tese é sua resistência a contratar treinadores ou a seguir as orientações dos mesmos. Não consigo lembrar de uma contribuição concreta levada à quadra de Tony Roche para o suíço - assim como não enxerguei nada de efetivo na experiência no saibro de José Higueras para Roger Federer senão pela insistência de curtinhas quase sempre mal-sucedidas.
Naturalmente que os apreciadores do tenis mais técnico acreditaram numa virada de Roger Federer nos torneios seguintes ao Grand Slam inglês, mas confesso que superestimei as seqüelas da derrota em Wimbledon. Primeiro, porque como foi exposto em linhas anteriores, Federer crê muito em seu inegável talento e não parece disposto a se 'matar' em quadra por um ponto decisivo. É só analisarmos a postura de David Ferrer e compararmos com a do suíço, por exemplo. Claro que não estou afirmando que o tenista da Basiléia entrega a partida, mas, claramente, diante de grandes adversidades, o pentacampeão de Wimbledon não parece ter a intensidade necessária - talvez vontade suficiente - para enfrentar um grande desafio.
Desde Wimbledon, Federer participou dos master series preparatórios para o US Open e das Olimpíadas de Pequim, sendo que em todas as competições sucumbiu antes das semi-finais perante adversários, tradicionalmente, fáceis. Não vejo horizonte para recuperação, mesmo porque uma das grandes vantagens que Roger Federer tinha perante seus oponentes era o respeito demasiado que o assegurava partidas rápidas que não exigiam muito de seu físico. Agora para desafiar Rafael Nadal em uma final, o suíço precisará enfrentar um batalhão de tenistas que já o vêem como um mero mortal. Acredito em um congelamento do tenista da Basiléia entre os dez melhores do mundo até uma ainda distante aposentadoria.
Artur S. Lisboa de Oliveira.
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 16h03
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Um gigante sem representatividade...
 Foto: Estadão
A grosso modo, se analisarmos estatisticamente, o Brasil tem um contingente populacional que o faz estar na frente da grande maioria dos países do mundo no que diz respeito à probabilidade de identificação de talentos. Obviamente, que somos uma nação terceiro-mundista, excludente, contaminada por tipos rasteiros de corrupção, que vêm retardando por décadas o nosso desenvolvimento econômico. A contribuição do estado como agente promotor de inclusão social e desenvolvimento pessoal por meio dos esportes ainda é bastante discreta e, infelizmente, nossos casos de sucesso se devem à superações individuais ou a situações particulares envolvendo segmentos favorecidos da sociedade.
Particularmente, acho que algumas características culturais atrapalham os brasileiros - mesmo porque a China, que possui problemas sócio-econômicos significativos devido ao seu imenso contingente populacional vem mostrando nas Olimpíadas de Pequim, a despeito dos moradores de rua que os governantes empurraram para áreas não 'fotografáveis', sua capacidade fenomenal de treinar esportistas para o alto do pódio. O Brasil é candidato aos Jogos Olímpicos em 2016. Será que isso mudaria nossa situação? O que nos falta são investimentos em infra-estrutura e qualificação de professores?
Culturamente, somos avessos ao pragmatismo robótico e ao estudo demasiado de técnicas e táticas que podem ser utilizadas durante uma partida. O brasileiro nasce com aquela capacidade de improvisar, de dar um jeitinho e resolver um jogo. Entretanto, até mesmo no futebol estamos sucumbindo à precisão européia de jogar, quanto mais no tenis, que apresenta tantas possibilidades para os tenistas. O discurso que falta centros de treinamento e profissionais qualificados não me convence.
Por todas as academias que passo, vejo turmas com 5/6 alunos por quadra e crianças do lado de fora afoitas para jogar. Nos torneios amadores dos quais participo, o número de inscrições é sempre bastante significativo. Claro que se olharmos para o campo ao lado, veremos um mar de meninos querendo se tornar um Ronaldinho Gaúcho, mas o tenis não está tão atrás assim. Com os professores que converso, a grande maioria tem participações em clínicas e diplomas de cursos técnicos dentro da atividade tenística. Não são poucos os clubes que estão construindo mais duas ou três quadras por solicitações dos sócios. Enfim, não é possível que não produzamos por década uns cinco tenistas capazes de se manter entre os cem melhores.
A participação inexpressiva do Brasil na chave de simples em Pequim deixa uma incógnita em minha mente: menos pelo Thomáz Bellucci, que ainda está em fase de lapidação, mas como o veterano Marcos Daniel, que tem oportunidade de treinar com Larri Passos em um centro de primeira qualidade e é titular na Copa Davis consegue perder por três vezes consecutivas para o mesmo tenista, Jürgen Melzer, que é um atleta de nível mediano? Creio que tem muita gente se escondendo debaixo dos supostos problemas de falta de investimentos e infra-estrutura. Ou então aquela conversa de não conseguir ficar longe do aconchego e da comidinha da mamãe é a mais pura verdade!?
Artur S. Lisboa de Oliveira.
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 15h39
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Controvérsias em Pequim
 Foto: Globo.com
Roger Federer vem sendo criticado por suas declarações recentes acerca do convívio com outros atletas na Vila Olímpica em Pequim. Segundo o suíço, ainda número um do mundo pelo 'congelamento do ranking' durante os Jogos Olimpícos, o dia-dia com outros esportistas não é o melhor ambiente para se preparar para a conquista do título olímpico, que no atual momento do tenista da Basiléia significa a recuperação de um ano quase perdido. E por qual razão ' quase perdido'? Depois de tudo que Federer conquistou entre 2004 e 2007, não pode se considerar dois vices-campeonatos - com direito a 'pneu' em Roland Garros e uma ajudinha da chuva britânica em Wimbledon - um bom ano.
Mas, voltando à questão da hospedagem olímpica de Roger Federer, creio que principalmente os latinos, acostumados com grandes festividades em suas glórias esportivas, precisam entender que a formação cultural do suíço é bastante diferente. Nesse momento, a maioria dos esportistas brasileiros, por exemplo, querem estar na Vila Olímpica, sentindo o clima de confraternização, o assédio da imprensa e dos torcedores. Federer, ao contrário, quer paz e tranquilidade para se concentrar em um objetivo, que devido ao seu momento ganhou proporções ainda maiores. É só assistir às 'press conferences' do tenista da Basiléia, que veremos que seu raciocínio é pragmático, direto, sem 'rodeios' para satisfazer esse ou aquele jornalista.
Até mesmo em suas grandes conquistas, quando empunhou o microfone para fazer seus discursos perante milhares de torcedores, custou-lhe fazer algum comentário engraçado sobre alguma coisa. No duelo das superfícies, perante um público espanhol eufórico, custou-lhe esboçar alguma descontração em lances incríveis protagonizados por ele próprio ou por seu 'oponente', Rafael Nadal. Claro que a maioria dos brasileiros gostaria de assistir um Federer comemorando como um Nadal, com direito a escalada das arquibancadas da quadra central do All England Club e um caloroso abraço nos familiares e no staff técnico, mas a cultura do suíço não é de exacerbar suas emoções. O tenista da Basiléia é cordial, gentil, educado - como o mineiro André Sá já relatou num encontro no refeitório de uma competição -, mas não podemos exigir 'latinidade' de alguém que nasceu num contexto de maior discrição de atitudes e sentimentos.
Tenho convicção que Federer está ali tão ansioso quanto os outros atletas, das mais variadas modalidades, para conquistar o ouro olímpico. Não apenas por representar o topo do mundo para qualquer esportista, mas especialmente para se livrar de uma má-fase que muitos julgam como irreversível. O suíço quer, ao seu modo, saborear a glória maior do esporte, que sem dúvida é a medalha de ouro nas Olimpíadas. Ao seu modo, é verdade, sem ter que levar uma hora na fila do refeitório para almoçar ou para chegar ao seu quarto na Vila Olímpica, atendendo ao assédio de outros atletas. É o direito de qualquer esportista. Lembremos que a seleção brasileira nas Olimpíadas de Atenas se recusou a participar da cerimônia de entrega do bronze. Humildade não o falta...
Artur S. Lisboa de Oliveira
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 10h31
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Possíveis sombras para Rafael Nadal...
 Foto: ESPN
Ainda tenho certa dúvida sobre a vitória - de certa forma arrassadora - de Novak Djokovic sobre Rafael Nadal nas semi-finais do master de Cincinnati. Rafael Nadal estava, claramente, cansado, desconcentrado, cedendo pontos bobos, o que não condiz com o seu habitual. No jogo anterior, diante do equatoriano Nicolas Lapentti, o espanhol assegurou a posição de melhor do mundo. Apesar do profissionalismo que o caracteriza, Nadal deve ter comemorado bastante e, portanto, saído de sua rotina pré-jogos. Surpreendente ver o tenista de Palma de Mallorca reclamando com o árbitro de cadeira sobre o tempo 'consumido' na virada de lado.
O sérvio jogou um tenis primoroso, extremamente agressivo e preciso, buscando as linhas todo o tempo. Mas, é o tipo da coisa: os méritos de Djokovic são incontestáveis, mas se estivesse do outro lado o Nadal das partidas anteriores, provavelmente o número três do mundo teria errado mais bolas e, por conseguinte, teria se sentido mais pressionado durante a partida. Mesmo em condições não habituais, a vitória de Novak Djokovic serviu para dar confiança ao tenista nos próximos confrontos com o espanhol e, sobretudo, para colocá-lo como 'sombra' do novo número um do mundo. Todo grande tenista precisa ter um oponente forçando-o ao máximo todo o tempo, senão vencer para Rafael Nadal, especialmente no saibro, se tornará uma rotina entediante.
Andy Murray vem mostrando um tenis sólido da linha de base - exceto por erros bobos de uma 'direita' por frações de segundos atrasada -, excelentes voleios e um serviço muito bom. Com a conquista do master de Cincinnati, o britânico certamente chegará ao US Open com a confiança elevada para lutar pelo título em Nova York. Antigo freguês do sérvio Novak Djokovic, Murray o venceu nas últimas duas partidas com autoridade. Creio que sua guinada para o top 3 ou até mesmo para a vice-liderança do ranking - dependendo de qual seja a performance de Federer nas Olimpíadas - é uma questão de tempo. Para lutar pelo topo, entretanto, é preciso que o atual campeão de Cincinnati vença nos próximos torneios o espanhol Rafael Nadal, o que o daria confiança para brigar pela condição de número um ou, ao menos, para incomodá-lo constantemente. Exceto no saibro...
A derrota de Rafael Nadal nas semi-finais de Cincinnati mostrou duas coisas: primeiro, que o espanhol é humano e não aguenta maratonas de partidas em condições adversas como ocorreu na cidade que dá nome ao último master antes do Us open. Segundo, que para Nadal, 90% dos tenistas do circuito são 'derrotáveis' em quaisquer circunstâncias, mas existe um grupo seleto de cerca de 3 ou 4, que em momentos de desconcentração e exaustão tem capacidade de derrotá-lo. Além disso, apesar de improvável, Federer pode repensar seu jogo e se tornar uma ameaça, especialmente na grama de Wimbledon. Creio que o suíço está passando por uma reavaliação pessoal para medir sua disposição em elevar seus recordes. Dificilmente, especulo, o tenista da Basiléia permanecerá no circuito apenas para cumprir tabela entre os 20 ou 30 do mundo.
Artur S. Lisboa de Oliveira
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 22h27
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O que é jogar feio?
 Foto: Bbc.co.uk
Pergunta levantada pelo leitor Iuri André Stona, de Francisco Beltrão, interior do Paraná: o que é jogar feio?
Inicialmente, é importante se dizer que 'feio' é um conceito extremamente relativo, que depende de opiniões particulares moldadas pelos padrões predominantes em cada época, uma vez que o mundo está em constante desenvolvimento e o tenis atual é produto da evolução de diversos segmentos que o influenciam direta e indiretamente. Basta dizer que, atualmente, o aparato que abrange um tenista profissional de alto nível é tamanho - fisiologista, fisioterapeuta, psicólogo, preparador físico, além dos materias necessários a exemplo dos tenis e das raquetes sempre em aperfeiçoamento -, que não é suficiente apenas ser regular na linha de base ou ter um bom saque. Se analisarmos os últimos seis jogadores que alcançaram o topo do mundo, veremos que é uma tendência desse esporte a supremacia dos mais fortes sobre os mais técnicos.
O último dia de Pete Sampras no topo do mundo foi 19 de Novembro de 2000, quando o norte-americano de saque fulminante e voleios precisos passou o bastão para o russo Marat Safin. O moscovita de inegável talento, apesar da fragilidade de seu componente psicológico, tem como ponto forte de seu jogo o serviço agressivo e os tiros da linha de base. O sucessor de Safin no posto de número um foi o brasileiro Gustavo Kuerten, que assumiu tal condição em 4 de Dezembro de 2000. O catarinense, bem conhecido de todos nós, tem como carro-chefe os golpes fortíssimos da linha de base e seu saque muito pesado. A transição do tenis técnico para o força estava quase consolidado.
Após alternâncias entre Safin e Kuerten, no dia 19 de Novembro de 2001 assume a liderança do ranking de entradas o australiano Lleyton Hewitt, cujo jogo se resume à constância na linha de base e à força de vontade acima da média. Hoje, sete anos depois de Hewitt ter alcançado o topo, sua bola é claramente lenta para desafiar a maioria dos vinte melhores do mundo. Novos revezamentos ocorreram, dessa vez entre Agassi e Hewitt e, finalmente, em 8 de Setembro de 2003, ocupa o posto de melhor do mundo o espanhol Juan Carlos Ferrero, cujo estilo é a agressividade nos golpes da linha de base. Assim como Lleyton Hewitt, Ferrero não tem mais potência para enfrentar a grande maioria dos trinta melhores, exceto pelo piso de saibro, no qual o pupilo de José Perlas ainda demonstra certa resistência. O sucessor de Juan Carlos Ferrero é, em minha opinião, uma prova cabal que a técnica se tornou descartável. Andy Roddick não tem, exceto pelo saque e pela incrível mobilidade, nada que justifique a condição de melhor do mundo. Talvez tenha ocorrido um gap no circuito - mesmo porque Roddick só permaneceu três meses na liderança.
Roger Federer surge como melhor do mundo em 2 de Fevereiro de 2004. Por cinco anos os tempos dourados ilustrados pelos lindos voleios de Maria Esther Bueno na grama do All England Club retornaram ao circuito. Em parte por teimosia do suíço que pensa ser possível vencer seus oponentes anos e anos com as mesmas variações de slices curtos no meio da quadra, mas especialmente pela ascensão do espanhol Rafael Nadal, a personificação da força e da agilidade, esse período se encerrou. O que é mais bonito de se ver? Confesso que terei saudades das 'direitas' magníficas do tenista da Basiléia, além dos belos voleios, das variações em slices muito venenosos e da 'soltura' dos golpes. Até winners de slice em trocas de bolas pesadas do fundo da quadra Federer conseguiu fazer. Mas, é preciso adaptar-se aos tempos e elogiar as qualidades dos novos tenistas.
Jogar a bola para cima é feio? Talvez para nós espectadores, que não queremos ver profissionais utilizando recursos de domingueiros. Mas, estamos completamente equivocados. O tenis hoje perdeu completamente o idealismo de décadas passadas. Com vultosos contratos entre tenistas e patrocinadores e com premiações estratosféricas oferecidas pelos torneios, o tenis atual é de resultado. Vale vencer feio a ganhar bonito - se é que isso é possível. E Rafael Nadal demonstra, que não tem constrangimento algum em jogar a bola para cima quando for preciso, além de retardar uma partida desfavorável com um pedido desnecessário do fisioterapeuta apenas para ajeitar o esparadapro colocado em sua perna. Catimba também vence jogo. Reitero: o tenis de hoje é de força, de resultado e pragmático - sem ilusões de golpes sensacionais. A única coisa incrível que existe hoje é a velocidade e a força de Nadal. Mas, ninguém pode dizer que o espanhol não merece estar onde está. Os outros que evoluam e o supere...
Artur S. Lisboa de Oliveira.
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 12h52
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Uma antiga aposta sul-americana...
 Foto: Vivedeporte
Nicolas Lapentti está na terceira rodada do master series de Cincinnati. Antes de ser 'acusado' de torcer para quem está ganhando - ao invés de apostar numa ascensão ou queda por esse ou aquele motivo - gostaria de dizer que assisti, digamos, o começo desse 'repique' do equatoriano de 31 anos. Na Costa do Sauípe, Lapentti esbarrou na categoria do espanhol Carlos Moya nas semis-finais do Aberto do Brasil em uma partida sensacional de três sets. Curiosidade: durante o jogo era possível ouvir Guga em companhia de alguns amigos músicos - a exemplo do cantor Fagner - cantando desafinadamente. O som claramente atrapalhava os dois tenistas, que por nítida amizade ao catarinense resolveram não reclamar. Ainda bem que o árbrito Carlos Bernardes decidiu interferir na 'bagunça', levando paz para a quadra central do complexo.
A partida de hoje no último master preparatório para o US Open entre Lapentti e o espanhol David Ferrer, este último o quarto colocado no ranking de entradas, não deixou dúvidas sobre as razões pelas quais o equatoriano alcançou o sexto posto em 17 de Abril de 2000. Detentor de 10 títulos de ATP, dentre eles os torneios de Lyon e de Indianapólis, Lapentti mostrou diante de Ferrer, além de muita experiência, uma excelente consistência na linha de base, um slice de esquerda defensivo muito preciso - inclusive, não o vi 'batendo' o backhand - e uma direita eficiente cheia de topspin acertando as linhas por diversas vezes; este último golpe muito parecido com a forehand de Rafael Nadal. Um jogador completo, lúcido em quadra e com boas condições físicas, que poderá ascender o tenis sul-americano nos próximos torneios.
Considero o Lapentti, no 'alto' de seus 31 anos, ainda como uma aposta sul-americana. Se conseguir encaixar seu jogo e alcançar as quartas ou até mesmo as semi de um torneio expressivo como os master series, tenho convicção que poderá se firmar entre os quarenta do mundo - atualmente está na posição 89 no ranking de entradas. Ao término de 2008, iniciando-se a gira latino-americana de torneios no saibro, sucedida pela temporada de competições européias na terra batida, o equatoriano pode até vislumbrar posições entre os vinte do mundo, já que o piso lento é seu habitat natural. O sul-americano necessita apenas de uma grande vitória frente a um tenista de quilate. Creio que Nicolas não seria presa fácil para Rafael Nadal - assim como seria uma 'pedra no sapato' para o suíço Roger Federer, que não vem apresentando um tenis de qualidade desde Wimbledon. Com a ascensão do ex-número seis do mundo, a representatividade da América do Sul no tenis mundial deixaria de estar em 99% nas mãos dos argentinos e dos chilenos.
Artur S. Lisboa de Oliveira.
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 17h09
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Nadal é ético numa quadra de tenis?
 Foto: Elmundododeporte
O último texto suscitou nos leitores uma discussão que julgo bastante relevante: o tenis de Rafael Nadal pode ser considerado ético?
Primeiramente, gostaria de afirmar que Rafael Nadal possui características que devem ser aplaudidas por todos: uma força de vontade e capacidade de concentração únicas, respeito pelos adversários e por todos que compõem o entorno tenístico, além de golpes 'mortais' que - apesar de não serem plasticamente atraentes para muitos - possuem uma eficiência de dar inveja a muitos tenistas. Repito: enquanto não existir no texto de regras do tenis que os pontos só valem se forem possuidores de elevada beleza estética, o espanhol de Palma de Mallorca deve ser enaltecido por tudo que vem conquistando.
Agora existem algumas questões que parecem irrelevantes, mas que no contexto tenso de uma partida de tenis profissional, envolvendo fortunas em premiações, patrocínios e rivalidades naturais entre os tenistas ganham determinada importância. Qualquer 'domingueiro' sabe o quanto é insuportável aguardar a preparação de seu oponente para um saque numa disputa saudável entre amigos em um clube qualquer valendo nada mais que boas risadas no matchpoint; imaginem o quanto a 'eternidade' que Rafael Nadal impõe aos seus adversários em finais de competições milionárias não os desestabiliza - quando o espanhol quica demasiadamente a bola no chão e ajeita suas vestimentas e seu cabelo quase que compulsivamente. Será que se o tenista de Mallorca tivesse um ranking modesto, os árbitros de cadeira não o encheriam de advertências, perdas de pontos e até de games? Sem contar nos pedidos duvidosos de assistência do fisioterapeuta e do médico em momentos delicados de suas partidas. É permitido, claro, mas até que ponto a 'malandragem' deve ser aceita?
Acho que por ser inteligente e muito bem orientado, Nadal sabe bem atenuar suas 'manias' em quadra e inibir as ações dos árbitros. Seus insistentes elogios a Roger Federer após quase que todas as partidas entre os dois já soam quase como ironias. Prestes a vencer mais um master series e se aproximar perigosamente de Federer no ranking de entradas, o espanhol afirmou que estava mais preocupado no título no Canadá do que em chegar ao topo. Além disso, reiterou que considera o tenista da Basiléia o melhor. Eu concordo com o maiorquino, mas acho que falta ao suíço um pouco de sangue latino. Lembro-me bem que Federer após vencer Wimbledon em 2005 ou 2006 - quem souber precisamente, por favor, me ajude - foi homenageado pela prefeitura da Basiléia com uma condecoração semelhante à chave da cidade. O número um do mundo esboçou sorrisos tímidos e no final da cerimônia fez questão de salientar que todos os cidadãos daquele País são iguais. Uma consciência cívica diferenciada, mas o que custa comemorar um pouquinho...???
Artur S. Lisboa de Oliveira
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 14h55
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Bernardinho telefona para Roger Federer...
 Foto: Último Segundo
* Bernardinho * Roger Federer
- Bom dia, Roger, então, recebi sua ligação, mas não pude atendê-lo porque estava no treino e só voltei agora às duas horas da madrugada. Em que posso ajudá-lo? - Bernardo, li seu livro 'Transformando suor em ouro' e uma dúvida surgiu em minha mente: será que é possível transformar talento em ouro? - Roger, eu devo dizer que particularmente prefiro trabalhar com um esforçado a um talentoso, mas podemos tentar. Fale-me do que te angustia... - Bom, devo dizer que venci tudo entre 2004 e 2007 e estou há quase cinco anos como primeiro do mundo, mas de repente surgiu um espanhol que está me vencendo em todos os pisos. Ando sem confiança e desmotivado. Quero voltar a vencer... - Então aprenda que uma vitória representa muito pouco; sempre que vencer algo, pense nas próximas conquistas que poderão vir. Comemore cinco minutos e vá ao trabalho. - Mas, Bernardo, então depois de vencer um grand slam eu só poderei comemorar cinco minutos? Nem de um bom jantar com minha namorada poderei desfrutar? - Um jantar rápido, de preferência, bem balanceado, que não interfira no cronograma de trabalho que estabelecerei para você. - E como será esse cronograma? - Bom, trabalho, trabalho e trabalho. Verei a possibilidade de realizarmos exercícios físicos nos aeroportos durante as escalas de vôos e já estou encomendando pela Amazon.com todos os vídeos dos jogos de Rafael Nadal para analisarmos em slowmotion todos os lances. - Todos os lances? E quanto tempo isso vai levar? - Não há problema. Intercalamos as análises dos vídeos com os treinamentos em quadra, na academia e com as consultas com o nutricionista, fisiologista e terapeuta. - Terapeuta? - Sim, temos que nos aprofundar em suas questões de foro íntimo para descobrirmos o que está te fragilizando durante os jogos. - Foro íntimo? Mas, isso não é invasão de privacidade? - Acostume-se. Eu estarei presente em todos os seus sonhos, ou melhor, em seus pesadelos. Provocarei você, além dos seus limites, para que você esteja sempre motivado para vencer. Na verdade, em duas semanas você desaprenderá a saborear o gostinho das vitórias e se preocupará em continuar vencendo sempre. - Bom, parece interessante, mas seus métodos parecem radicais... - Radicais? Você ainda não viu nada. Inclusive, estamos perdendo muito tempo nesse telefonema. Que tal você correr durante uma hora e meia numa velocidade de 3,5 m/s controlando seus batimentos cardíacos e sua pressão arterial? Depois disso, faça trabalho de musculação em academia. Amanhã já estarei aí e daremos continuidade aos trabalhos. - Amanhã? Mas, eu perdi em Toronto na primeira rodada para poder viajar antes para Nova York para visitar com minha namorada umas lojas em Manhatan. - Lojas? Compras? Vida pessoal? Esqueça. Quando você se aposentar terá tempo de sobra para essas coisas... - Aposentar? Essa palavra não soa tão mal assim nesse momento... - Decida-se, Roger. Entre a Liga Mundial, as Olímpiadas e as centenas de palestras que ministro pelo mundo tenho pouco tempo para você. - Hã? Bom, talvez seja melhor deixar as coisas como estão... Ser vice-campeão de grand slams não é tão ruim assim. - Argh. Vice? Jamais. Bom, tenho que desligar. Acordo às seis amanhã para treinar com a seleção brasileira...
Artur S. Lisboa de Oliveira.
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 10h38
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Melhores golpes, qualidades e seus respectivos autores
 Foto: About Tenis
SERVIÇO: a rapidez de execução do saque do norte-americano Andy Roddick é impressionante, assim como o peso e a velocidade, mas recentemente observando o croata Ivo Karlovic em ação constatei que Karlovic tem um primeiro serviço igualmente arrasador e um segundo saque mais fundo do que o de Roddick. Um empate técnico que poderá ser desempatado pelas estatísticas que posteriormente disponibilizarei.
FOREHAND: há quem considere a 'direita' do chileno Fernando Gonzalez a melhor do circuito, especialmente por seu peso e velocidade incríveis, mas não tenho dúvida que a profundidade, peso, angulação e, sobretudo, regularidade do golpe de direita de Roger Federer está no topo do circuito.
BACKHAND: o golpe de esquerda sofre, na verdade, uma injustiça. O backhand do francês Richard Gasquet é extraordinário em todos os sentidos: plasticamente, eficiência, angulação, profundidade e peso, mas seu autor, infelizmente, é acometido por uma fragilidade psicológica que tira do foco esse golpes espetacular. Destacaria também a 'esquerda' de duas mãos do moscovita Marat Safin.
VOLEIO: depois da aposentadoria de Tim Henman, não há como não considerar Roger Federer o melhor voleador do circuito.
MOVIMENTAÇÃO: apesar da presença de bons 'corredores' no circuito, a exemplo do argentino Guillermo Cañas e do espanhol David Ferrer, o tenista mais rápido e ágil do tenis atual é, sem dúvida, Rafael Nadal.
DEIXADINHA: não vejo nenhum exímio executor de deixadinhas no circuito, mas destacaria o sérvio Novak Djokovic e o argentino David Nalbandian.
FORÇA MENTAL: sem dúvida, não há no circuito nenhum tenista com a capacidade de foco e intensidade que tem Rafael Nadal. Destacaria também a força de vontade do espanhol David Ferrer e a coragem do sérvio Novak Djokovic, maior salvador de breakpoints do circuito.
LONGEVIDADE: destacaria o francês Fabrice Santoro, que completa 36 anos em Dezembro desse ano. Além dele, o espanhol Carlos Moya, vice-campeão do Brasil Open, que consegue se manter entre os trinta melhores - ano passado esteve boa parte do tempo entre os vinte - em um circuito cuja condição física é cada vez mais preponderante.
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Artur S. Lisboa de Oliveira.
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 14h48
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A hora da virada na 'Rogers Cup'
 Foto: Uol
Coincidentemente, o torneio Master Series do Canadá - que alterna sua sede entra as cidades de Montreal e Toronto - se chama Rogers Cup. Não é uma homenagem ao número um do mundo, mas sim uma mera coincidência do patrocinador do evento. Federer desembarca em Toronto de forma bastante desconfortável: amarga o vice-campeonato do ano passado, quando perdeu para o sérvio Novak Djokovic e ainda lida com a pressão de defender seus pontos ante a ameaça de Rafael Nadal, campeão em 2005. O suíço não busca apenas o seu tricampeonato na competição, mas sim a volta por cima em um ano pífio no qual venceu apenas dois títulos: o ATP de Estoril, onde quase não teve adversário exceto pelo russo Nicolay Davydenko que acabou abandonando o jogo final e o pentacampeonato na grama de Halle.
Além do mencionado, o tenista da Basiléia procura em território canadense sua reabilitação psicológica após a perda de Wimbledon, que certamente deixará seqüelas por algum tempo ou conseqüências permanentes caso a escassez de conquistas continue. E às vésperas das Olímpiadas de Pequim, nada melhor para motivar Federer do que um título no Master Series do Canadá diante dos seus principais adversários. A temporada de torneios na América do Norte que desemboca no Us Open pode se tornar um divisor de águas rumo a um grande marco na vitoriosa carreira do suíço, que é o título olímpico na China. Em declarações recentes, o tenista da Basiléia se mostrou um pouco amargurado com a possibilidade de conquista olímpica ao ponto de criticar o transporte da Vila Olímpica, mas é inquestionável que os Jogos em Pequim poderão ser um evento inesquecível para o número um do mundo.
Inclusive, as declarações amargas de Federer sobre o uso do transporte coletivo e o convívio com outros atletas já indicavam um conflito em sua mente. É inquestionável que as sucessivas derrotas em finais de Roland Garros tiraram parte de sua motivação. Aliado a isso, o fato de ter ganho quase tudo entre 2004 e 2007 a ponto de encostar precocemente nos recordes de Pete Sampras pode também ter arrefecido a gana do suíço por melhores resultados. E mais recentemente a perda em Wimbledon e as expectativas geradas sobre sua postura nos próximos torneios podem incomodar mais ainda o número do mundo, que vê sua posição no topo do ranking cada vez mais ameaçada por Rafael Nadal. Roger Federer tem sim que agradecer o destino, que o pôs diante de um adversário como o espanhol que o desafia a todo momento. Essa rivalidade pode engrandecer mais ainda seu talento e sua carreira, além de enaltecer a atitude e força física de Nadal.
Artur S. Lisboa de Oliveira.
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 12h11
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Missão menos impossível...
 Foto: Estadão
O que parecia algo completamente impossível - mais precisamente uma vitória da equipe brasileira da Copa Davis sobre a Croácia fora de casa em Setembro - hoje é algo mais concreto, especialmente pelos resultados de Thomáz Bellucci. O duelo que será realizado na pequena cidade de Zadar terá como piso o RukortHard acrílico, considerado pela Federação Internacional de Tenis como médio-rápido, o que configura algo positivo para os brasileiros. As principais desvantagens do time brasileiro são, além de um cansativo vôo, adaptações climáticas, jetleg e uma forte pressão da torcida croata, a falta de experiência do promissor Bellucci e a carência técnica de um quarto atleta para compôr o quarteto.
Não fechemos o sol com a peneira: o tenista de Tietê fez bonito nos torneios challengers - venceu três deles - e em sua estréia em Roland Garros e Wimbledon, mas apesar da experiência de ter participado de dois majors não tenho certeza quanto à sua capacidade de lidar com a tensão de um jogo de Davis fora do Brasil perante oponentes expressivos como Mário Ancic e Ivan Ljubicic; além disso, o esforçado Marcos Daniel já mostrou sua fragilidade diante de adversários de qualidade, especialmente em quadras rápidas. Flávio Saretta, em condições físicas adequadas, completaria o quarteto que poderia arrancar uma heróica vitória fora de casa. Um ponto de Bellucci, um da excelente dupla formada por André Sá e Ricardo Mello e outro de Saretta seriam suficientes para o êxito brasileiro na Croácia. A questão é que o gaúcho Daniel está confirmado devido à impossibilidade do retorno de Saretta para a equipe.
Mário Ancic levará, provavelmente, dois pontos no confronto; a fragilidade croata está justamente no jovem Marin Cilic, de apenas 19 anos, que com 1.98 m ostenta um saque devastador. Cilic possui apenas quatro títulos de torneios challengers em sua carreira e com certeza se sentirá bastante pressionado, especialmente diante de um brasileiro experiente. Creio que Thomáz Bellucci fará jogo duríssimo contra o novato croata, mas tenho poucas expectativas quanto a uma vitória de Marcos Daniel. Mesmo que o tenista de Tietê vença Cilic e a dupla formada por André Sá e Ricardo Mello vença seus oponentes duplistas, perderíamos por 3 pontos a 2. Há a necessidade de mais um tenista para fechar o quarteto e não tenho dúvida que esse atleta é Flávio Saretta. A questão é que depois de longo período parado por contusão, Saretta não deverá estar na melhor de sua forma em Setembro e com sua ausência a derrota é provável; quase inevitável.
A equipe brasileira dependerá basicamente de dois fatores para se fortalecer para o confronto contra a Croácia em Setembro: primeiro, de uma boa participação de Thomáz Bellucci nos master series preparatórios para o Us Open, no próprio grand slam norte-americano e nas Olímpiadas, o que traria muito confiança para o tenista de Tietê enfrentar grandes nomes do tenis mundial como Mário Ancic e Ivan Ljubicic; e segundo uma recuperação rápida de Flávio Saretta, com uma boa participação em torneios mais modestos do tipo challenger, o que fará com que o atleta se credencie a disputar o confronto contra a equipe croata. Lembro que em Fevereiro, na Costa do Sauípe, presenciei vaias da torcida para Bellucci pela derrota pífia diante do polonês naturalizado australiano Peter Lucsak. Cinco meses depois, o jovem tenista paulista é aplaudido por todos depois de boas apresentações em Roland Garros e Wimbledon. As coisas mudam muito rapidamente...
Artur S. Lisboa de Oliveira
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 21h33
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Rito de passagem...
 Foto: Sportsnob.net
A vitória de Rafael Nadal sobre Roger Federer em Wimbledon em uma épica partida de quase cinco horas de duração simboliza um rito de passagem, que já se desenhava há alguns anos quando o espanhol demonstrou sua capacidade de incomodar o suíço em qualquer piso; entretanto, na grama o tenista da Basiléia vinha conseguindo 'fechar a porta', além dos incontestáveis tricampeonatos no Australian Open e no ainda 'defensável' pentacampeonato do Us Open. O número um do mundo acumula 12 grand slams em sua carreira, além de cinqüenta e cinco títulos de simples, incluindo três master cups com vitórias memoráveis sobre tenistas do quilate de Andre Agassi - à época próximo de uma aposentadoria, é verdade. A categoria de Federer faz com que há mais de cinco anos sintamos que o posto de melhor do mundo está em excelentes mãos.
Agora só se fala em quando Rafael Nadal assumirá a posição de número um do mundo do tenis. A diferença atual entre os dois é de exatos 545 pontos, mais 250 pontos perdidos pelo espanhol essa semana por sua ausência no torneio de Stuttgart ficará 795. O suíço precisará defender seu título no Master Series de Cincinatti e o vice-campeonato de Montreal/Toronto quando foi derrotado pelo sérvio Novak Kjokovic; em seguida defende a conquista do ATP da Basiléia, joga pelos 400 pontos oferecidos ao campeão olímpico e, por fim, defende os pontos da Master Cup de Shangai, totalizando 1.850 pontos a serem defendidos. Por outro lado, Nadal defende o título do Master Series de Paris, 5 pontos apenas de Cincinatti, 225 de Montreal/Toronto e apenas 150 do Us Open, onde curiosamente não costuma atuar bem. O espanhol precisa 'salvar' apenas 605 pontos até o final da atual temporada.
Mesmo com a vantagem de Rafael Nadal de defender menos pontos, creio que a incrível regularidade de Roger Federer em finais pode frustrar as expectativas dos eufóricos espanhóis em ver o tenista de Mallorca chegando ao topo do ranking. Curioso que se fala em Federer pós-derrota em Wimbledon como se o suíço estivesse em plena decadência, mas não esqueçamos que Federer - apesar de ter conquistado apenas dois títulos esse ano - esteve na semi-final do Australian Open e nas finais de Roland Garros e do grand slam londrino, o que pode fazer com que a aproximação do espanhol aconteça no 'conta-gotas'. Sem contar que há alternativas para conter a ameaça de Nadal como por exemplo disputar outros torneios, o que é mais viável para o tenista da Basiléia que possui um tenis mais leve e menos desgastante. Se avaliarmos o quesito número de competições jogadas, o atual campeão de Wimbledon está bem acima.
Cada um à sua época é preciso 'passar o bastão' e respeitar a superioridade tática e física do seu rival - no caso atual - mesmo quando este detém um repertório técnico consideravelmente menor. Creio que o tenis perderá um pouco de seu brilho com os novos tempos que estão por vir, mas a correria e 'pancadaria' de fundo de quadra não deixam de ser atrativos. Federer experimentou suas habilidades por quase cinco anos com pouca orientação de treinadores - até que Nadal provou ao suíço que não é possível fazer de uma quadra de tenis um laboratório para o seu talento. A expectativa é que o suíço esboçe uma reação e mantenha-se confiante para alcançar recordes incríveis, mas caso não aconteça, vida longa para uma categoria rara que fez do tenis entre 2004 e 2007 um esporte mais especial. Que Rafael Nadal tenha grandes duelos contra oponentes como Novak Djokovic, Ernest Gulbis, Nicolay Davydenko, dentre outros, para que possamos desfrutar de partidas memoráveis como a final de Wimbledon desse ano. Difícil, muito difícil...
Artur S. Lisboa de Oliveira.
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 10h11
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Era uma vez o tenis clássico...
 Foto: Wimbledonwinners.com
Rafael Nadal venceu com todos os méritos pela primeira vez em Wimbledon. Gostem ou não do estilo hiperatrofiado do espanhol e de sua correria de fundo de quadra, devolvendo sempre mais uma vez a bolinha para o lado do oponente, o tenista de Palma de Mallorca se impôs ao tenis clássico de Roger Federer em cinco sets - apesar de toda a vantagem proporcionada pela grama do All England Club ao jogo mais ténico do suíço. Nadal mostrou que não somente a final de Roland Garros, mas também sua ampla vantagem nos confrontos contra o número um do mundo, mexem bastante com o psicológico do tenista da Basiléia - sobretudo nos pontos decisivos. Mais uma vez liderando um set com ampla vantagem, Federer teve a quebra devolvida e perdeu a parcial - algo já corriqueiro no duelo entre os dois. Tecnicamente a diferença é abissal; mas em termos de força física e atitude, não conheço nenhum esportista que mantenha tal postura e intensidade durante tanto tempo em um jogo tão cheio de detalhes como o tenis.
A derrota de Federer incomoda por vários motivos: primeiro, porque com a imposição da força no tenis pode haver uma 'explosão' de crianças e adolescentes esquecendo do aperfeiçoamento dos fundamentos desse esporte e buscando apenas o aprimoramento físico com faixa na cabeça e bicéps e tricéps à mostra. O tão importante 'quadradinho', por exemplo, utilizado para desenvolver a sutileza dos golpes pode ser completamente extinto - a favor do condicionamento físico e da força dos golpes, que permitem aquelas 'pancadarias' intermináveis do fundo da quadra. Segundo, porque apesar de louvável a postura de Rafael Nadal como competidor, é lamentável a forma com a qual o espanhol conduz a sua preparação para o saque, que leva muito mais tempo do que a regra permite. Além disso, o espanhol sabe se utilizar muito bem de suas possibilidades durante uma partida - atendimento médico, por exemplo - para esfriar o jogo e atrapalhar seus oponentes. Enfim, são coisas que não são proibidas, mas que com certeza configuram falta de 'fairplay' ou catimba.
Derrotado facilmente em Roland Garros e mal sucedido na empreitada do hexacampeonato em Wimbledon, temo pela carreira de Roger Federer e pelo tenis clássico. Federer não irá para Nova York - onde venceu por quatro vezes - com a confiança desejada; inclusive, não será surpresa nenhuma se não alcançar o pentacampeonato no Us Open. Resta-lhe alguns importantes master series preparatórios para o major norte-americano, além dos europeus e a master cup. Se não obtiver êxito em nenhum desses torneios expressivos, vai amargar uma temporada com um título pífio em Estoril (Portugal) e outro na grama de Halle (Alemanha). Aos 27 anos, com a conquista de Roland Garros cada vez mais distante, e ameaçado em seu habitat natural, como o suíço reagirá? Psicologicamente, é algo duro de trabalhar, já que Federer impõe uma fregüesia a 90% dos tenistas e não consegue vencer apenas um, que o impede de alcançar seus maiores objetivos.
Para o tenis é a substituição da técnica pelo império da força física. Em quem, senão em Roger Federer o tenis encontra sua forma mais refinada? Elenquemos os mais bem rankeados atualmente: Nicolay Davydenko explora essencialmente a potência dos seus golpes para se impôr aos seus oponentes; Andy Roddick necessita de seu extraordinário saque para vencer as partidas; Marat Safin demonstra técnica apurada, mas apenas em seus lampejos de bom tenis; o super esforçado Davi Ferrer não é nenhum exemplo de talento; e por mais que Novak Djokovic exiba um bom repertório de golpes, o tenis do sérvio não tem a mesma dimensão que o de Federer. Portanto, uma derrocada da carreira do suíço simbolizaria um divisor de águas para o tenis físico, hipertrofiado, da correria, da mordida em troféus e 'escaladas' de arquibancadas. Até nas comemorações, o físico tem que predominar...
Artur S. L de Oliveira.
Escrito por Artur S. L de Oliveira às 19h13
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